quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pelos smiles no dicionário

Normalmente escrevemos sobre coisas que, ou não gostamos por aí além, ou não nos dizem grande coisa. Porém, existem sempre valores mais altos que se levantam para realizarmos tal tarefa. Sejam eles motivos profissionais, académicos ou lúdicos, passamos grande parte da vida a escrever e disto não podemos fugir.

Ora a escrita mais não é do que a transposição de pensamentos para papel, ou se viverem no século XXI, para ecrãs de dispositivos electrónicos. Assim, como não registamos tudo o que nos vem à mente, podemos dizer que já tivemos muitos pensamentos que se perderam. Alguns estúpidos, outros brilhantes, mas certamente algumas ideias nunca mais iremos conseguir recuperar. 

No meu caso pessoal, sempre tive mais facilidade em expressar os meus sentimentos através da escrita do que numa vulgar conversa. Certamente que ao reproduzir oralmente algumas coisas escritas por mim, ficaria subitamente incomodado e com um nó na garganta que curiosamente se espalharia também para a língua. Será um sinal de covardia? Não creio. Até porque a maior parte das vezes não sinto vontade em escrever o que me passa pela cabeça. Preguiçoso? Talvez, mas prefiro considerar-me como um intelecto a “diesel” que demora a arrancar, mas que quando embalado pode originar coisas engraçadas. Sem dúvida, uma visão mais simpática :)

Viram este smile que usei? Embora neste caso tenha sido intencional (para além de algo piroso), é curioso que seja particularmente difícil actualmente escrever algo sem os utilizar, tão enraizados que estão na nossa sociedade e na forma de comunicar. Experimentem abrir a vossa caixa de mails, e verifiquem quantos deles têm smiles. Um mail sem smiles, das duas uma: ou provém de algo/alguém com grande responsabilidade ou é simplesmente aborrecido, blur, cinzento. Sim, eu considero um mail sem smiles aborrecido. Nú. Sem alma. Percorro as linhas de um mail à procura de um smile, ou seja, algo que faça um conjunto de caracteres ter mais sentido e que exprima uma emoção ou sentimento.

A verdade é que nem todas as pessoas são génios da escrita e, para ajudar à festa, vivemos num tempo em que a ironia e o sarcasmo ditam leis. Quantas vezes lemos algo e pensamos: “Mas que raio quererá ele(a) dizer com isto? Estará contente? Fiz algo errado?”. Um smile geralmente tira toda e qualquer espécie de dúvida. Sim, geralmente porque uns malandros lembraram-se de criar uns smiles dúbios que não ajudam em nada à comunicação escrita. 

Partindo do princípio que uma imagem vale mais do que mil palavras, pode-se constatar que o uso de smiles “emula” de forma quase perfeita uma conversa real. Não tivessem eles nascidos nos tão populares chats. Muitos podem dizer-me que numa conversa escrita pode-se ludibriar muito mais facilmente quem está do outro lado. Não digo que não mas, meus amigos, a estes tenho a dizer-lhes que não fazem ideia da qualidade dramática existente pelas ruas do nosso país. Ou se quiserem, quem nunca esboçou um falso sorriso que se acuse! :P

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

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Olá. Após um longo período de reflexão, decidi ceder ao apelo da maioria silenciosa que partilha as minhas convicções e criar um blog. Neste humilde espaço, prometo reflectir sobre coisas, comentar assuntos e, às vezes, quem sabe exprimir opiniões. Podem contar ainda com tiradas hilariantes ou então somente sem sentido. Adiante...

Felizmente, tive a sorte de nascer num país com dotes inatos para a mui nobre arte de blogar e outras semelhantes. De facto, basta ligarmos a televisão para nos apercebemos que toda a gente comenta alguma coisa ou então, à falta de melhor, manda os tão populares bitaites. Existe até quem seja profissional da área, comentando tudo o que acontece no momento, tudo o que poderia ter acontecido e tudo o que poderá vir a acontecer nas mais variadas temáticas. Ainda há poucos dias atrás, ouvi num famoso canal noticioso por cabo, um indivíduo proclamar orgulhosamente o seguinte acerca da crise económica mundial: "Bem, eu não sou economista nem pertenço a esta área, mas acho que...". Ora, se não percebe sobre o que se está a discutir faça-nos um favor a todos e CALE-SE! Será pedir muito?!

Porém, o nosso povo e até mesmo eu por vezes, confesso, não enjeita a oportunidade de perder umas horas a ouvir famosos comentadeiros que são pagos, pasme-se, para dizerem o que pensam. Pois bem eu pergunto: existirá algum emprego melhor que este? De facto, embora já tenha tentado, não consigo deixar de pensar sobre coisas, pensando por vezes até demais. Para compensar este superavit de devaneios e obsessões muita gente aproveita a dificuldade crónica do nosso povo em reflectir em profundidade sobre alguma coisa em concreto e fala. E volta a falar. Indigna-se. Revolta-se. Nós, por outro lado, assistimos e até gostamos mesmo quando não concordamos. Falando por mim, considero a arte de usar-os-argumentos-que mais-nos-convém-mesmo-que-se-entre-em-contradição-com-o-que-dissemos-anteriormente deveras fascinante, ainda para mais quando a maioria nem se apercebe disso. Ou então, finge não perceber, uma vez que pessoas tontas são como o preto. Nunca se comprometem. Perceberam?

Pois bem como se não os podes vencer junta-te a eles, venho por este meio anunciar que também quero comentar. Aliás, quero tornar-me o José Mourinho dos comentadores. Primeiro num blog, depois num jornal ou rádio e, por fim, quem sabe numa televisão, possuindo o meu próprio programa onde sugerirei livros, discos, restaurantes e praias de nudismo. Como Charlie Chaplin disse um dia "o mundo pertence a quem se atreve".

LG, assim como Miguel Sousa Tavares, escreve de acordo com a antiga ortografia